quinta-feira, 22 de novembro de 2007

" UM DIA DE FÚRIA INFANTIL" Crônica por Edna Costa.

Quem já não ouviu falar que a música acalma até as feras? Tempos atrás li um artigo muito interessante onde cientistas demonstravam pesquisas feitas com animais selvagens que, escutando música clássica, passavam da fúria para completo "estado alfa". Achei fantástico!

Dias atrás tive uma demonstração contrária à pesquisa. Eu sou babá do Samuel (2 anos) e uma vez por semana eu o levo à uma aulinha de música onde todos tem a mesma faixa etária. As crianças cantam, dançam, brincam, rolam pelo chão e experimentam "tocar"alguns instrumentos como pandeiro, tambor e outros do mesmo tipo ou seja, todos muito barulhentos.

A professora (americana) é muito amável. Ela é bem magra, deve ter uns 45 anos, tem longos cabelos ruivos encaracolados e grandes olhos verdes. Normalmente ela é meiga e paciente mas, acho que essa semana ela estava com problemas e resolveu botar prá fora suas neuras.

Colocou para tocar um cd num volume alto demais e com uma música que lembrava o som de tambores de canibais em uma floresta longígua. Assim que começou a música, ela (a professora) deu um grito, um rodopio e de um salto caiu no centro da sala no meio das assustadas crianças. Aí começou uma espécie de dança selvagem na qual agitava braços e pernas frenéticamente. A cabeça girava loucamente fazendo com que suas madeixas voassem de um lado para outro parecendo hélices de um helicóptero descontrolado prestes a cair. Seu rosto estava vermelho e seus olhos pareciam duas esmeraldas faiscando no fundo de uma caverna escura de onde saia sua vóz num som gutural.

Repentinamente as crianças formaram uma roda em volta dela e foram sendo empurradas como uma onda sem controle para o centro numa algazarra e gritaria infernal. Rodopiavam e urravam enlouquecidas como se estivessem pisando em brasas vivas. Um menino pegou duas baquetas (que servem para tocar tambor) e avançou sobre uma menina loura e, não fosse eu mais rápida, talvez ela fosse a primeira vítima da insana aula.

Nós, mães, avós e babás, óra batíamos palmas, óra ficávamos em completo estado de transe com tais cenas ou simplesmente nos olhávamos sem compreender bem o que sucedia. Finalmente a música terminou. As crianças suadas esparramadas pelo chão demonstravam estar exauridas de suas forças. Algumas ensaiaram um começo de choro mas a professora foi mais rápida e pegando seu instrumento musical (tipo um violão pequeno mas com um suave som de harpa) dedilhou uma melodia harmoniosa que acalmou os pequenos. Conclusão: A tese é verdadeira! Música selvagem excita e música suave acalma.

Fiquei feliz por ter terminado a aula. Peguei o Samuel, nossas coisas e fui saindo perplexa, aliás, como todos que lá estavam. Será que esse estado eufórico da querida mestra aconteceu de alegria por ter sido o último dia da aulinha (as aulas recomeçam logo após o verão) dos anjinhos? Hummmmm, será???

SOLIDÃO. Crônica por Edna Costa.

Como explicar a solidão? Sempre ouvi falar de solidão mas nunca havia parado para pensar e nunca tinha vivido essa situação. Quando se é jovem a gente não entende o que é solidão. Claro que há exceções, mas geralmente na infância e adolescência nossas vidas são cheia de pessoas, fatos e coisas que não nos deixam saber o que isso significa.

Eu tinha uma tia que ficou solteirona e morava com meus avós. Com o passar do tempo eles morreram e ela ficou só. Apesar de ter um certo conforto material minha tia tornou-se uma pessoa amarga, resmungona e chata, que chorava por qualquer motivo. Depois de alguns anos da morte dos meus avós ela desenvolveu um câncer e morreu. Só agora consegui entender o porque da mudança dela. Ela sofria de solidão.

Solidão é a gente estar acompanhada de alguém, mas sentir-se sozinho. É ter um montão de amigos, mas quando voltar pra casa sentir melancolia. É ouvir uma musica triste e chorar. É falar demais no telefone, no serviço e com as pessoas.

Solidão é a gente ficar casado por muitos anos e quando pensa que vai ter uma companhia na velhice, a gente separa. Solidão é quando os filhos casam, vão embora e a casa antes perfeita no tamanho para a família vai ficando grande e silenciosa demais. Solidão é ficar fazendo hora extra no serviço, porque sabe que ao chegar em casa não vai ter ninguém nos esperando.

Solidão é assistir televisão em companhia do nosso mascote e fazer comentários com ele como se falasse com um ser humano. Solidão é ficar feliz sempre que o telefone toca, nem que o telefonema seja cobrança ou notícia chata. Solidão é estar longe da familia e amigos. Solidão é ficar navegando na net por horas a fio por absoluta falta de companhia real.

E você, alguma vez já sentiu algum desses sintomas? Se sentiu você é normal e se não sentiu, você é privilegiado.

De cebolas, batatas e tomates. Crônica por Edna Costa.

Dia desses protagonizei uma cena hilária e tudo por
conta de batatas, tomates e cebolas que comprei
para aproveitar o preço que estava bom. Eu levava
aquele pêso todo de uma cidade para outra. Quando saí
da estação de trem, vi que meu ônibus vinha vindo e
resolvi atravessar a avenida de qualquer jeito.

Acontece que são três etapas para a travessia.
Atravessei a primeira avenida e parei na ilha (um
tiquinho de ilha que mal dava para caber meus pés e
eu, com razoável segurança). Depois de alguns
segundos, que pareceram minutos, consegui chegar na
segunda ilha (idem à primeira em tamanho). Fiquei com
um olho no trânsito e outro no bendito ônibus que
continuava parado no ponto com as pessoas entrando.

O farol estava fechado para as duas mãos que seguiam a
esquerda e aberto para a faixa do ônibus. Então, os
motoristas ao verem aquela figurinha frágil e sózinha
(euzinha) perdida naquele ilhazinha, começaram a fazer
gestos com as mãos para que eu atravessasse, que o
ônibus esperaria. Diante da situação de perigo resolvi
perder o ônibus e esperar o próximo sinal. Mas, qual o
quê! O povo parecia querer ver sangue na arena!
Resolveram que eu teria que atravessar e tal foi a
gritaria e os incentivos, que lá fui eu.

Acontece que a motorista do ônibus começou a sair lentamente com o
dito cujo. No desespero para atravessar a pista - e
agora pegar o ônibus também - comecei uma corrida
maluca que acabou em comédia. Imaginem a cena: Quando
eu estava no meio da avenida o fundo da sacola de
legumes começou a rasgar. E eu correndo, nem vi. Só vi
quando passou a primeira batata na minha frente (ela
sendo grande e redonda tinha mais velocidade que eu,
claro!). Em seguida veio mais uma batata...e mais
outra...atrás vinham as cebolas e os tomates. Fui
correndo e driblando todos para não pisar em nenhum e
cair, mas nem pensando em parar de correr.

Nisso a motorista tinha parado o ônibus e TODO mundo olhava
para mim. Ela abriu a porta e eu entrei vermelha de
vergonha e quase morta, sem folêgo. Alguém pode
imaginar uma senhora com minha dignidade (leiam assim:
diga a idade) correndo acima de suas forças? As caras de todos
pareciam dizer: "Oh! coitada!" Quando cheguei ao meu destino e fui descer do ônibus a motorista cheia de compaixão e simpatia me consolou:

- Bom, parece que hoje não vai ter jantar em casa, né?
Tenha uma boa noite querida. Agradeci, retribui a
gentileza e desci do ônibus convicta de que nas
próximas compras, vou colocar os legumes em duas
sacolas para ter certeza que tal cena jamais se
repetirá.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Uma historia real.

Gente, essa é a história do Nicholas e sua mãe, minha amiga Cleide, uma mulher de fibra e coragem! Ela própria escreveu como tudo se passou. Para ler, se emocionar e repensar nossa mania de estar sempre reclamando de tudo, na maioria das vezes, sem motivo. Serve também como um alerta para os pais.

-------------------------------

" Ele nasceu no dia 7 de setembro de 1982, na Santa Casa de São Paulo, de cesariana feita por um excelente médico,
foi feito teste do pézinho e tudo mais. Era uma criança muito alegre e risonha; bastava eu falar com ele e já começava
a sorrir. Aos três meses de idade deveria tomar a vacina tríplice, que é para tétano, difteria (mais conhecida como tosse comprida) e coqueluche.

O tempo passou e eu não levei Nicholas ao médico pediatra, para a vacina. Então, por indicação de um primo médico,
esperei para levar no quinto mês, ao invés de levar no quarto mês. Eu amamentava, e o bebê estava
crescendo e engordando, tudo normal. Aos cinco meses de idade eu o levei, ao médico para a
vacina.

Voltei para casa e mais tarde notei que o bebê tinha uma fisionomia diferente do normal; ele estava visívelmente
triste. Comentei com meu marido,que disse:
- O médico nos alertou quanto a isso, que a vacina poderia dar febre ou algum outro desconforto, então vamos esperar. Mas, a partir desse dia ele nunca mais sorriu.

Na manhã seguinte Nicholas teve a primeira convulsão (talvez até tenha tido durante a noite, quando eu dormia e não vi). Desse dia em diante começamos a corrida a médicos, exames, laboratórios. E tendo mais dois filhos pequenos foram dias, meses e anos muito difíceis. Eu estava constantemente correndo com o bebê, para exames ou especialistas, e os outros filhos foram ficando de lado.

O pediatra nos encaminhou para um neurologista, que ficou estupefato com o caso e me disse:
- Como é que esses pediatras ainda dão uma vacina dessas nos dias de hoje? Estamos cansados de saber
que essa vacina dá essa reação alérgica em algumas crianças, causando paralisia cerebral !

A solução seria aplicar a vacina dupla, que não tem a difteria, causadora da paralisia. Infelizmente os médicos não sabem disso; vão pelas estatísticas, que dizem que em cada 10 mil crianças, uma será atacada por esse problema. E, se não dermos a vacina da difteria, muito mais crianças, em 10 mil, irá morrer da doença. Porém,eu lhe pergunto: você conhece alguém que tenha morrido de tosse comprida?

A criança que poderia morrer, é aquela fraquinha, sub-nutrida, que pode morrer de alguma doença qualquer. Porém, a triste verdade é que os médicos vão sómente pelas estatísticas, e não se preocupam em saber o que vem atrás disso tudo. E quando o seu filho é aquele "1" entre os 10 mil, então as coisas mudam de figura.

Hoje Nicholas está com 24 anos. Depois de muitos anos aprendeu a dar um leve sorriso que não acontece sempre, mas que nos faz tremendamente felizes quando acontece. É totalmente dependente: não fala, não anda, não tem coordenação motora, depende da familia em tudo. Continua a ser o menino maravilhoso de 5 meses. Come bem, adora comida bem feita e bem temperada, como também as sobremesas que nos esmeramos em fazer para ele. Dorme bem, é tranquilo, parece ser uma criança muito feliz dentro do seu mundinho de 5 meses de idade mental.

E hoje, as crianças brasileiras continuam tomando a vacina tríplice, sem nehum cuidado maior, sem nenhuma explicação. Depois do nascimento de Nicholas, várias crianças nasceram na familia de seu pai, de origem inglesa. E lá, na Inglaterra, quando essas crianças foram à clínica para tomar as vacinas, a primeira pergunta feita às mães foi:
- Existe, na família, algum caso de problemas com vacina ? A resposta foi SIM.

Então, aquelas crianças NÃO tomaram a vacina tríplice, mas a DUPLA , que não contém a vacina da difteria. E até hoje nenhuma daquelas crianças teve tosse comprida, que aliás, está erradicada há muito tempo!

E, se acontecesse de alguma criança ter, conforme os médicos, sendo uma criança saudável e bem alimentada jamais morreria por causa dessa doença. E, essa é a história de Nicholas."

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Teste da margarina II.

Pessoal, vou explicar rápidamente o caso da margarina. No fórum que frequento, apareceu uma história contando os males que a margarina pode nos causar, por provocar vários tipos de mal a saúde. Foi contada pela amiga Cleide, que, na melhor das intenções, leu, colou e repassou como um alerta. Intrigada pelo assunto, já que consumo uma margarina indicada pelos médicos, fiz uma experiência e constatei que a margarina realmente não estraga.

Assim que coloquei o resultado da experiência aqui, o amigo Older me alertou que ligou para a empresa que fez o estudo e que esse teste nunca foi realizado pelo citado instituto. Assim que li isso, coloquei uma nota aqui comentando como a net pode nos levar a cometer enganos, ao acreditar em tudo que lemos pela rede. Mas, o fato não me saiu da cabeça fácilmente e resolvi que naquele dia iria fazer o mesmo teste com a manteiga.

Procedi exatamente como fiz com a margarina e qual não foi minha surpresa, ao ver que a manteiga também não estraga!!! A manteiga, depois de duas semanas deixada fóra da geladeira, criou uma aguinha (ou gordura) amarelada na superfície, só mudando o cheiro que ficou um pouco mais acentuado, talvez pela falta de refrigeração. Ou seja: o teste foi feito igual e o resultado das duas (manteiga e margarina) também foi exatamente igual!

Fico por aqui, lembrando dos bons e velhos tempos em que a gente comia de tudo sem culpa. Um tempo de inocência, em que se morria de "nó nas tripas" (que hoje sabemos ser apendicite), era bem melhor e menos estressante que os dias atuais, em que somos prisioneiros do tempo, dos medos, da ansiedade e da técnologia. Quem não concordar, levanta a mão e pode gritar!

sábado, 6 de janeiro de 2007

Teste da margarina.

Oi pessoal, depois de ler o que a Cleide escreveu (no forum do Cyber) sobre a margarina, resolvi fazer o teste aqui em casa e...surpresa! A margarina NÃO estragou!!! Deixei um pote (que já estava em uso) fóra da geladeira por duas semanas e a única coisa que criou foi um pouco de água na superfície. Éca!

Eu uso uma margarina recomendada pelos médicos daqui. Chama-se Smart Balance (light) e é balanceada para ajudar a melhorar o colesterol. Agora fiquei cismada...volto para a manteiga ou continuo usando essa? Oh! Dúvida cruel! Bom, a partir de agora, pelo menos nas minhas receitas usarei manteiga.

Beijokas e bom fim-de-semana para todos.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Essas crianças...

Eu sou babá do Samuel, que tem três anos e dez meses. Ele é um menino muito bonito, esperto, fala bem o português (que eu ensino todos os dias) e o inglês, que é a língua oficial dele. Há algum tempo atrás ele foi passar uma semana de férias com os pais em Barbados, uma ilha lindíssima do Caribe.

Quando voltaram, ele (Sam) veio com os cabelos mais curtos e eu perguntei onde tinha cortado. Ele respondeu que tinha cortado em barbeiros. Observando melhor, vi que o corte estava meio "matado" e resolvi brincar com a mãe dele dizendo que o serviço estava bem ruinzinho e que da próxima vez ela deveria reclamar.

Ela ficou chateada e disse que ela mesmo tinha feito o serviço. Fiquei super sem graça, me desculpei e me pus a matutar o porque dele mentir para mim. Ele não costuma fazer isso porque sabe que é muito feio. De repente me deu um estalo e matei a charada: ele pronunciou Barbados em inglês! (Diga Barbeiros com sotaque caipira e sua pronúncia ficará perfeita!).

Bom, depois dessa prometi ficar mais atenta e assim não dar mais fóras...será?

Beijokas...smack!